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Rapaz Comum (Letra)

Edi Rock

Edi Rock

Curso de Violão - Fórmula Violão

Parece que alguém está me carregando perto do chão
Parece um sonho
Parece uma ilusão
A agonia, o desespero toma conta de mim
Alguma coisa no ar me diz que agora é o fim
Meu sangue ainda quente não sinto dor
A mão dormente não sente o próprio calor
Meu raciocínio fica meio devagar
Eu sei quem me fodeu
Mas não posso me vingar
Cresceu o movimento ao meu redor
Meu Deus
Eu não sei mais o que é pior
Só vivia muito lôco o tempo inteiro
Alguém me fala; não morra agora parceiro
Me lembro de um fulano se aproximando
Com uma quadrada niquilada e descarregando
Pra me pegar foi muito fácil
Pra sobreviver agora nem sendo mágico
Me lembro de várias coisas ao mesmo tempo
Várias recordações vem no pensamento
Na frase que a coroa me dizia
Cuidado por onde anda
Cuidado com as companhia
Nunca dei atenção
Nunca ouvi
Quando fui me ligar já era tarde
Agora tô aqui
A ironia da vida é loucura
O diabo e a morte estão sempre a sua procura
Tem alguém me chamando, quem é?
Apertando minha mão reconheço a voz de mulher
O choro a faz engolia as palavras
O lenço que enxuga meu suor
Enxuga sua lágrima
No rosto de uma mãe que ora baixinho
Que nunca me deixou faltar, ficar sozinho
Me ensinou o caminho, desde criança
Minha infância
Mais uma eu busco na lembrança
Na ignorância da periferia eu sou mais um
Rapaz comum
Apenas mais um rapaz comum

O que que pega aqui
O que que acontece ali
Vejo isso na correria desde pivete
Quinze de idade já era o bastante então
Treta no baile irmão
Tiro de monte
Morte nem se fala
Eu vi um cara agonizando
E uma mina por socorro gritando
Depois ficava sabendo na semana
Que dois já era
O gueto sempre teve fama
No jornal, revista, tv se vê
Morte aqui, ali é natural de se vê
Caralho não quero ter que achar natural
Ver um mano meu coberto com jornal
É mal
Cotidiano genocída, reze pra achar
Encontrar uma saída
Me diga
Que adianto isso traz?
Me diga?
Sem justiça onde existe a paz?
A fronteira entre o céu e o inferno
Tá na nossa mão
Nove milímetros de ferro
Vou falar
Vou dizer uma parada pra você
Quando olhar no espelho
Então pense no que vou dizer
Nós estamos se matando por ponto de droga
Nós estamos se matando e quem se incomoda?
A arma é uma isca pra fisgar
Você não é policia que foi criada pra matar
Rá, tá, tá, tá
Virou um bola de neve
Vai morrer mais um irmão
Sem perdão em breve
Rapaz comum
Apenas uma um rapaz comum

Parece que a hora tá chegando
Neurose aumentado
O coração parando
Eu vejo que de nada adiantou
Tudo que eu lutei, conquistei
Por aqui ficou
Eu vejo que o homem é traiçoeiro
Te mata por droga
Te mata por qualquer dinheiro
Ganância, orgulho, ofensa
Qualquer motivo é motivo pra quem não pensa
Então pensa
Quem vai criar a minha filha?
Quem vai cuidar agora da minha família?
A gente tava espera de mais um pivete
E eu não posso mais ver nascer o meu pivete
Não quero admitir que sou mais um
Mais uma vítima de um 121
Ali dentro da gaveta do necrotério
Ou na capela do velório no cemitério
Eu tô me vendo agora e é difícil
Minha família
Meus mano
No centro um crucifixo
Meus filhos chorando, chamando
Sem entender a diferença do
Bem, mal, matar ou morrer
Não acredito que esse puto veio até aqui
Me matou, quer certeza e quer conferir
Me acompanha até sepultura
Vejo um tumulto no caixão
É hora da amargura
Mais uma mãe que não se controla
Perder o filho dessa forma violenta
Quem se conforma?
Como eu podia imaginar
No velório de outros manos
E hoje eu estou no lugar
No buraco desce meu caixão
Jogam terra, flores
Se despedem na última oração
Tão me chamando meu tempo acabou
Não sei pra onde ir
Muito menos pra onde vou
Qual que é?
O que eu vou ser?
Talvez a paz agora eu possa conhecer
Pode crê
Não sou o último
Nem muito menos o primeiro
A lei da selva é uma guerra
E você é um guerreiro
Rapaz comum
Apenas mais um rapaz comum

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Rapaz Comum (Letra)

Curso de Violão - Fórmula Violão

Parece que alguém está me carregando perto do chão
Parece um sonho, parece uma ilusão
A agonia, o desespero toma conta de mim.
Algo no ar me diz que é muito ruim.
Meu sangue quente. Não sinto dor.
A mão dormente não sente o próprio suor.
Meu raciocínio fica meio devagar.
Quem me fodeu?
Eu tô tentando me lembrar.
Cresceu o movimento ao meu redor.
Meu Deus! Eu não sei mais o que é pior.
Mentir a vida toda pra si mesmo.
Ou continuar e insistir no mesmo erro.
Me lembro de um fulano:
“mata esse mano!”
Será que errar dessa forma é humano?
Errar a vida inteira é muito fácil.
Pra sobreviver aqui tem que ser mágico.
Me lembro de várias coisas ao mesmo tempo.
Como se eu estivesse perdendo tempo.
“A ironia da vida é foda!”
Que valor tem? Quanto valor tem?
Uma vida vale muito, vim saber agora.
Deitado aqui e os manos na paz, tudo lá fora
Puxando ferro ou talvez batendo uma bola.
“Pode crer. Deve tá mó lua da hora”
Tem alguém me chamando, quem é?
Apertando minha mão, tem voz de mulher.
O choro a faz engolir as palavras.
Um lenço que enxuga meu suor enxuga suas próprias lágrimas.
No rosto de uma mãe que ora baixinho.
Que nunca me deixou faltar, ficar sozinho.
Me ensinou o caminho desde criança.
Minha infância, mais uma eu guardo na lembrança.
Na esperança da periferia eu sou mais um.

“Clip, clap, bum!”
Rapaz comum.
“Clip, clap, bum!”
“A lei da selva é assim”
“Clip, clap, bum!”
Rapaz comum.
“A lei da selva é assim”
“Clip, clap, bum!”
“Predatória”.
Rapaz comum.
“Preserve a sua glória!”

Queria atrasar o meu relógio.
Pra mim vale muito um minuto a mais de ódio.
Mas me sinto fraco, indefeso, desprotegido.
Eu vou mais alto, cusão! Pra te levar comigo!
Vou ser um encosto na sua vida.
Você criou um monstro sem cura, sem alternativa!
Me enganar pra quê?
Se o fim é virar pó!
Fiquei muito pior.
Segura o seu B.O.!
O preto aqui não tem dó!
Mais uma vida desperdiçada e é só.
Uma bala vale por uma vida do meu povo.
No pente tem quinze, sempre há menos no morro, e então?
Quantos manos iguais a mim se foram?
Preto, preto, pobre, cuidado, socorro!
Quê que pega aqui? Quê que acontece ali?
Vejo isso frequentemente, desde moleque.
Quinze de idade já era o bastante, então.
Treta no baile, então. Tiros de monte!
Morte nem se fala!
Eu vejo o cara agonizando!
“Chame a ambulância! Alguém chame a ambulância!”
Depois ficava sabendo na semana
Que dois já era.
Os preto sempre teve fama.
No jornal, revista e TV se vê.
Morte aqui é natural, é comum de se ver.
Caralho! Não quero ter que achar normal
ver um mano meu coberto de jornal!
É mal! Cotidiano suicida!
Quem entra tem passagem só pra ida!
Me diga. Me diga: que adianto isso faz?
Me diga. Me diga: que vantagem isso traz?
Então…
A fronteira entre o Céu e o Inferno tá na sua mão.
Nove milímetros de ferro.
Cusão! otário! que pôrra é você?
Olha no espelho e tenta entender
A arma é uma isca pra fisgar.
Você não é polícia pra matar!
É como uma bola de neve.
Morre um, dois, três, quatro.
Morre mais um em breve.
Sinto na pele, me vejo entrando em cena.
Tomando tiro igual filme de cinema.

“Clip, clap, bum!”
Rapaz comum.
“Clip, clap, bum!”
“A lei da selva é assim”
“Clip, clap, bum!”
Rapaz comum.
“A lei da selva é assim”
“Clip, clap, bum!”
“Predatória”.
Rapaz comum.
“Preserve a sua glória!”

Minha idéia tá clareando.
Eu fico atacado, mó neurose, o tempo tá esgotando.
Não quero admitir, meus olhos vão abrir.
Vou chorar, vou sorrir, vou me despedir.
Não quero admitir que sou mais um.
Infelizmente é assim, aqui é comum.
Um corpo a mais no necrotério, é sério.
Um preto a mais no cemitério, é sério.
Eu tô me vendo agora e é difícil.
Minha família, meus manos.
No centro um crucifixo.
Meus filhos olhando sem entender o porquê.
Se eu pudesse falar talvez iriam saber.
Não acredito que esse mano veio até aqui!
Me matou, quer certeza e quer conferir.
Me acompanham até a sepultura.
Vejo um tumulto no caixão. Hã!
E alguém segura!
Mais uma mãe que não se conforma.
Perder um filho dessa forma é foda!
Quem se conforma?
Como eu podia imaginar no velório de outras pessoas.
Hoje estou no lugar.
No buraco desce o meu caixão.
Jogam terra, flores, se despedem na última oração.
Tão me chamando, meu tempo acabou.
Não sei pra onde ir!
Não sei pra onde vou!
Qual que é?
Qual que é?
O quê que eu vou ser?
Talvez um anjo de guarda pra te proteger
Não sou o último nem muito menos o primeiro
A lei da selva é uma merda e você é o herdeiro!