Pai nosso que está nos céus
Santificado seja o teu nome
Venha o teu reino
E a tua vontade
Na terra e nos céus
O pão de cada dia nos daí hoje
E perdoa as nossa dívidas
Como perdoamos
Os que nos devem
Não nos deixe cair em tentação
Mas livrai-nos do mal
Pois teu é o reino
E o poder
E a glória
Para sempre amém
Pai Nosso
Que estais no céu do sertão
Santificado
Quem vive sobre esse chão
Sertanejo faz oração
É sofrido, é vivido de solidão
Nas quebradas, nos tabuleiros
Só pensa que a vida está sem razão
Passa o vento, redemoinho
Que roda e acorda desilusão
O pão nosso
De cada dia nos guia
Nos consola e transforma em coisas do dia
Sertanejo planta a semente
Que a terra não pode plantar
Foi o amor que fez o homem
Plantar nessa terra, o perdão
Na poeira dos caminheiras
A marca de uma vida de arribação } bis
Perdoai o vaqueiro, Meu Senhor
Que ele sempre nas contas lhe perdoou
Na caatinga, o caminho, a solução
A lição, a ilusão, a conformação
Que não caia o vaqueiro em tentação
Nem lhe traga perdição, maldição
Corre o tempo e o vento pro fim do mundo
O cavalo abalou, desembestou
Acabou minha vida de vaquejada